domingo, novembro 26, 2006

A Imagem dum Bastonário

Sente que precisou de ir à TV comentar o processo Casa Pia para se tornar conhecido entre os seus pares?

Excerto da entrevista do Bastonário Rogério Alves dada esta semana à revista Visão e que tem causado choque em alguns "pseudo puristas", quando numa sociedade de comunicação como a nossa, a imagem faz toda a diferença, assumi-la claramente como factor importante, deve ser de louvar.
E os próximos Bastonários serão também pelo seu poder, da imagem.

sábado, novembro 25, 2006

Prazos do CPPT

Nos termos do disposto no artigo 20.° CPPT «1 - Os prazos do procedimento tributário e de impugnação judicial contam-se nos termos do artigo 279. ° do Código Civil. 2 - Os prazos para a prática de actos no processo judicial contam-se nos termos do Código de Processo Civil.»

Esta é uma daquelas questões que usualmente criam muitas dificuldades nos Advogados que sejam menos conhecedores do Direito Fiscal, os prazos do CPPT.
Assim nas impugnações judiciais, os prazos são contínuos correndo em férias judiciais porque estão sujeitas às regras do CC, todavia este só se aplica até à instauração da p.i., com uma especificidade que se este prazo de instauração - 90 dias a contar do facto que inicia o prazo - terminar em férias judiciais o prazo só termina depois do fim das férias,
a partir daí as regras são as do CPC,.
Quanto às oposições à execução, não correm em férias porque o prazo - 30 dias a contar da citação ou da penhora se anterior - é adjectivo.
Já as reclamações do órgão de execução - art.276º do CPPT - são processos considerados urgentes, logo correm em férias judiciais.
Exceptuando o caso da impugnação judicial, os outros dois instrumentos mencionados permitem o recurso à dedução da peça processual nos três dias úteis seguintes, com o pagamento da multa respectiva, nos termos do CPC.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Conferências

O Conselho Distrital do Porto promoverá, no próximo dia 30 de Novembro, pelas 21:30 horas, a realização da conferência subordinada ao tema "Alteração da Regulação do Poder Paternal e a Liberdade de Circulação" proferida pela Prof. Doutora Maria Clara Sottomayor, Docente na Universidade Católica e terá lugar no Auditório da Universidade Portucalense, (junto ao Hospital São João).

O Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados e o Instituto da Conferência organizam mais uma conferência do ciclo “Os Espaços Curvos do Direito”, no próximo dia 30 de Novembro de 2006, pelas 21.30 horas no Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis, em que será orador Prof. Doutor Paulo Ferreira da Cunha, Professor Catedrático e Director do Instituto Jurídico Interdisciplinar na Faculdade de Direito da Universidade do Porto que, a propósito daquele tema geral, falará sobre “Constituição da República da Lísia. Texto, Documentos e Contributos”

Participarão, também, os Senhores Drs. António Lemos Soares, da Universidade do Minho, e João Caetano, da Universidade Aberta.


A Delegação da Comarca de Vila do Conde, organiza no próximo dia 30 de Novembro, pelas 21 horas, no Auditório da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, a conferência subordinada ao tema: Direito Comercial, a Nova Legislação Inerente ao Código das Sociedades Comerciais e suas Repercussões ao Nível do Código do Registo Comercial, tendo como conferencista o Prof. Dr. Pedro Maia.

Somente não entendo o que leva o CDP a organizar duas conferências onde se discute questões importantes, com oradores de renome à mesma hora e no mesmo dia. Faltam datas disponíveis? Existe um parco entendimento entre os responsáveis da formação e o Instituto da Conferência?
Não se compreende a sobreposição e salvo o erro já é a segunda vez. É que o Porto não é propriamente Lisboa, onde existe eventos jurídicos, dia sim, dia sim, porque aí o mercado de interessados é incomparavelmente maior. Ou a presença dos estagiários perturba?

terça-feira, novembro 21, 2006

Discursos

"Vivemos no regaço da serra do Montemuro, aonde o tempo perdeu o relógio do transitório e respiramos a eternidade das coisas imperecíveis.

Somos, assim, como o chão de granito e a inclemência do frio e calor, sem meias medidas, aonde nos vestimos com palhoças e capuchas, socas e tamancos e com orgulho vemos os calos do trabalho agreste como esse chão que nos moldou, mas vemos também outros calos, bem mais duros, feitos de muito e imerecido isolamento.

Há uma fonte nesta vila que se chama a Fonte dos Peixes que reza a lenda velhinha que quem da sua cristalina água beber desta terra irremediavelmente se há-de prender e para sempre ficar dela enamorado. "(...)

Excerto do discurso do Presidente do IAPI, o Dr. João Sevivas (17.11.06)

A tranquilidade deste trecho não faz adivinhar a torrente oratória dum recente congresso de Santarém. É caso para afirmar que um Homem, não é apenas um, são vários dentro de si.
Foi também para isto que a Liberdade se realizou, para as assumidas duplicidades, mesmo que formais.

terça-feira, outubro 31, 2006

Conferência no Porto

No próximo dia 02 de Novembro, pelas 21:30 horas, terá lugar no Auditório do Centro de Formação do Conselho Distrital do Porto, no Edifício Mapfre, uma Conferência promovida por este Conselho Distrital, subordinada ao tema:
"Tutela dos Direitos do Ex-Cônjuge sobre a Quota Comum durante a Situação subsequente ao Divórcio",
Será conferencista a Senhora Prof. Dra. Rita Lobo Xavier, Docente na Universidade Católica.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Qual dos Lados da Bissectriz Prevalecerá?

"O juiz-conselheiro Noronha do Nascimento tomou posse como presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) no mesmo dia em que um importante julgamento sobre a morte de uma criança de seis anos foi adiado, no Tribunal de Oeiras, aparentemente por um erro processual da magistrada que preside. Esta coincidência de factos sintetiza uma dimensão essencial do debate que se deve fazer sobre a justiça e de que os magistrados e as suas hierarquias habitualmente não gostam, ou seja, a questão da responsabilidade. E esse é também um caminho que Noronha do Nascimento terá de trilhar.
O discurso de Noronha do Nascimento esteve uns furos acima daquilo a que os seus antecessores, em particular o último, nos habituaram. Inteligente e programático, ao mesmo tempo disponível para o diálogo e desafiador, Noronha do Nascimento terá os seus defeitos, mas a sua ascensão ao topo da hierarquia da magistratura judicial é um facto da maior importância. Daqui para a frente, qualquer Governo saberá que tem uma personagem complexa, exigente e com agenda própria no lugar de quarta figura do Estado e não uma figura passiva ou mesmo reverente. Qual-quer Governo cedo perceberá que não se pode sentir completamente à vontade com o presidente do STJ e isso é bom para a saúde da democracia. Sobretudo numa altura em que os contrapoderes tendem a sentir-se condicionados com a pressão reformista do Governo e com o imperativo categórico proclamado aos sete ventos de que a pátria não terá remédio sem as mudanças que aí vêm.
O misto de sindicalista e servidor do Estado que Noronha do Nascimento é tenderá a empurrá-lo para uma bissectriz entre a dimensão fortemente institucional do cargo e a liderança indiscutível que há anos tem de um largo sector da magistratura. O que só significa uma coisa: Noronha do Nascimento assumirá na plenitude a titularidade de um órgão de soberania e dificilmente deixará de ser impulsionado pela costela sindicalista. Talvez com menos agressividade verbal, mas com grande capacidade de manobra. Isso não é necessariamente mau para a justiça portuguesa, mas obriga o novo presidente do STJ a uma missão que lhe é mais difícil, embora inevitável: tem de ser ele o impulsionador de uma nova visão e atitude sobre a questão da avaliação e responsabilidade dos magistrados. Se não o fizer, o poder político se encarregará da tarefa. O essencial, porém, é que o faça, para que não se repitam casos de adiamentos inaceitáveis de julgamentos como o de ontem em Oeiras."

Eduardo Dâmaso no DN online de 24.10.2006

quarta-feira, outubro 25, 2006

Conferência no Porto

O Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados e o Instituto da Conferência comunicam a conferência do ciclo “Os Espaços Curvos do Direito”, a realizar-se no próximo dia 26 de Outubro de 2006, no Auditório do Museu Nacional Soares dos Reis, em que será orador Dr. Miguel Veiga, Advogado que, a propósito daquele tema geral, falará sobre “O Direito nas curvas da vida” Como sucedeu nas anteriores conferências será lançado o livro correspondente ao texto proposto pelo conferencista. Encontrar-se-ão à venda, também os livros relativos às anteriores conferências.

Aconselho vivamente a todos os colegas e a outros curiosos, a ida a esta conferência por duas razões, o Museu e o Conferencista, numa palavra só que os defina, magnânimos.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Semana da Mediação

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A Associação de Mediadores de Conflitos promove de 9 a 13 de Outubro a 2.ª Semana da Mediação em Lisboa, Coimbra, Viana do Castelo, Porto e Algarve.

Queremos encontrar outros caminhos para a resolução de conflitos, procurando, junto com a comunidade, novas respostas para as necessidades dos cidadãos.

Programa para Lisboa:

9 de Outubro

Fundação Calouste Gulbenkian - Auditório 3


10h00 às 11h00 - Sessão Oficial de Abertura

11h30 às 13h00 - Conferência de Mediação Comunitária - Ian McDonough (Escócia)

«Dar voz a quem não tem voz»

Diferenças entre mediação comunitária e mediação para a comunidade

14h30 às 15h30 - Conferência de Mediação Escolar - Susana Robalo (AMC) / Fundação Cebi

Apresentação de um projecto de mediação em contexto escolar. Razões, necessidades e vantagens16h00 às

17h00 - Debate

Entrada Gratuita

Inscrições: Suzana Robalo - 960 425 404 / cfigueiredo@mediadoresdeconflitos.pt

Mais informações:
www.mediadoresdeconflitos.pt
associacao@mediadoresdeconflitos.pt
Tel.: 217 159 616

sábado, setembro 23, 2006

Uma Imagem


Como encaro a vivenciação dum blog como algo não linear, regresso duma curva mais apertada para continuar a oxigenar este recanto forense, qual porto de abrigo ou bússola de desventuras nos territórios inóspitos da Justiça.

Para abrir a época escolhi este despacho revelador das tentações securitárias que o mundo actual padece, onde um Advogado é impedido de exercer as suas constitucionais funções porquanto "aderiu à moda" dos telemóveis com câmara (ainda existem sem elas?) Felizmente o bom senso prevaleceu em quem de direito e permitiu-nos continuar a pensar que está tudo bem no Mundo, porque não poderia ser doutro modo. Pangloss assim o assumiu e nós assim o cremos?

"A confissão das más acções é o primeiro passo para a prática de boas acções."
(Sto. Agostinho)

terça-feira, agosto 15, 2006

Associação Livre

Licenciatura bietápica em Solicitadoria e Admnistração:

  • Solicitadoria liberal.
  • Administradores da insolvência.
  • Serviço jurídico de empresas privadas e públicas.
  • Administração de património e heranças.
  • Notariado.
  • Gestor(a) e liquidatário (a) judicial.
  • Sector da banca e seguros.
  • Conservatórias do registo predial e civil.
  • Posição privilegiada nos concursos para oficiais de justiça, polícia judiciária e finanças.
  • Contencioso de empresas e advocacia.

sábado, agosto 05, 2006

Sempre Bastonário

"Terei de me habituar a viver até ao fim da vida com uma sanção disciplinar. A Ordem dos Advogados terá de se habituar a viver com um espaço vazio na sua galeria de bastonários. Não autorizo que o meu retrato aí seja exposto e não voltarei mais a colocar ao peito o colar de bastonário". (Declarações do Bastonário José Miguel Júdice em conferência de imprensa- cfr. aqui)

"Não se é Bastonário porque se quer. É-se Bastonário porque os nossos pares assim o querem, independentemente dos retratos e das insígnias."

Excerto de um post do Blog Ângulo Recto, com o qual concordo integralmente, mas na qual acrescentaria que independentemente da relativização usual destes pormenores, a simbologia é extremamente importante numa instituição e a OA não foge à regra. Logo uma vez Bastonário, para sempre Bastonário e tolerar uma violação a este princípio seria duma irresponsabilidade total para com a ordem histórica e para com todos aqueles que se sentiram representados por José Miguel Júdice, que até não foi o meu candidato a Bastonário nas urnas, mas o meu Bastonário logo aquelas abertas e conhecidos os seus resultados. Sou apologista dos máximos consensos possíveis mas não a todo custo, portanto também existem momentos na vida - e este é deles - que a um Bastonário se diz não. A História da OA não pertence a ninguém em concreto, por mais que esses lhe tenham feito a sua História.

terça-feira, agosto 01, 2006

Processo Penal a Mudar

A Unidade de Missão para a Reforma Penal já entregou o Anteprojecto de Revisão do Código de Processo Penal ao Ministro de Justiça.
***
As alterações abrangem 181 artigos que incluem um vasto conjunto de matérias, que inclui os sujeitos, os actos, os meios de prova, as medidas de coacção, o inquérito, a instrução, o julgamento, os processos especiais, os recursos e a execução das penas.

Tanta Generosidade


Estava lendo atentamente este excerto publicitário do ilustre colega, e apeteceu-me pensar alto. E pensei, pensei muito e voltei a pensar até que confrontei-me com a imensa sabedoria deste velho povo Português e recordei-me dum provérbio antigo, aquele que diz que em casa de ferreiro, espeto de pau. E mais não digo, apesar de pensar.

Subscrevo Integralmente

"O Bastonário e o Conselho Geral, respeitando o princípio da separação de poderes e o da independência dos órgãos, não se imiscuirão no teor concreto da decisão. Contudo e a bem dos superiores interesses da Ordem dos Advogados, julgam ser oportuno reafirmar o seguinte: O Conselho Superior da Ordem dos Advogados goza de toda a legitimidade para o exercício das suas competências, que constituem verdadeiros poderes-deveres.

Este Conselho Superior, formado por um conjunto de advogados notáveis, como é amplamente reconhecido, foi o escolhido pelos seus pares para o desempenho desta tão nobre quanto difícil tarefa, que é a de julgar outros advogados, escolha essa efectuada numas eleições em tudo conformes com a legalidade e cujos resultados têm de ser respeitados, mesmo por quem escolheu diferente opção de voto.

A legitimidade do Conselho Superior, formal e substancial, não pode ser colocada em causa por ocorrências verificadas num qualquer processo em concreto, porquanto, além do mais, essas ocorrências devem ser dirimidas com os mecanismos processuais à disposição dos intervenientes respectivos."(...) O Bastonário da OA

segunda-feira, julho 31, 2006

E o Bom Senso Triunfou


Excerto da decisão final proferida pelo Conselho Superior:

"Condenar o Senhor Bastonário Dr José Miguel Júdice na pena única de censura, prevista nos artigos 125º/1/b) e 126º/3 do Estatuto da Ordem dos Advogados, aprovado pela Lei nº 15/2005, de 26 de Janeiro, por violação dos deveres consignados nos artigos 110º, 85º/2/h), 86º/ a) e 83º/1 do mesmo Estatuto; e bem assim por infracção do estipulado nos seus artigos 86º/a), 107º/1/a), 83º/2 e 83º/1."(...)
Depois de toda a algazarra, a sabedoria e um esperado bom senso regressaram ao Largo de S. Domingos, proferindo uma decisão - não discutirei se justa ou não - que desejamos todos, os que se preocupam com a Justiça, tenha o condão de suspender a espiral de deslegitimação que a associação pública estava a tomar.

Marcas Distintivas

"No Conselho de Deontologia do Porto costumamos dizer que um advogado quando erra comete uma falta disciplinar, por outro lado, um juiz quando erra comete um erro judiciário. Há tempos um juiz escreveu num determinado despacho, dirigindo-se ao advogado, que a sua interpretação a uma determinada norma era “asnática”. Muitos advogados têm usado expressões similares nas suas peças processuais. Com uma diferença. Na Ordem dos Advogados, o advogado é responsabilizado disciplinarmente, como alguns o têm sido. No Conselho Superior da Magistratura, diga-se legitimamente, porque é esse órgão que detém poder disciplinar sobre os juizes, esse juiz não o foi. Esta diferença, é uma marca que nos distingue. É ela que torna, também, atractiva esta profissão, que lhe confere brilho e beleza."

António Salazar, Presidente do Conselho de Deontologia do Porto da OA exorcizando os falsos profetas..

quinta-feira, julho 27, 2006

A Mensagem Subliminal do CDHOA

Tal como o filósofo E.Morin, perspectiva a análise social numa óptica de complexidade, o CDHOA o aplica na sua visão da actualidade pejada de crueldade e de desvalorização dos valores e comportamentos, onde nada faz sentido ou merece a pena ser salvaguardado. Uma verdadeira crise da ratio do agir, que inclusive chegou à Instituição da OA, como comprovam os inauditos e recentes episódios.

"Não há crianças boas e crianças más, não há jovens delinquentes e jovens bem comportados, como não há adultos pecaminosos, e outros que sejam puros e santos; uns que sejam intrinsecamente criminosos e outros totalmente inocentes e livres de pecado. Admitir este maniqueísmo, e enfiar a cabeça nas areias movediças dos simplismos e em ideias feitas, é não perceber a natureza complexa do homem e a liberdade e a dignidade da pessoa, é reduzir o ser humano a estereótipos, a etiquetas, a compartimentações perigosas. É, por isso, que não suporto os perfis, os lombrosianos, os redutores da realidade ou das realidades, que são cada vez mais fruto do imediatismo, do mediatismo e do superficialismo vigentes."(...)

E eu acrescento não há Advogados maus ou Advogados bons, não há Bastonários puros ou Bastonários ímpios, nem Conselhos Superiores soberbos ou singelos, etc. e apesar das cartesianas dúvidas que se me assomam neste preciso segundo, farei como Grouxo Marx "Whatever it is, I'm against it!" Só que com uma diferença basilar, a resposta salvadora é o relativismo. Questões, mas estas ainda valerão a pena?